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Carta aberta de um filho bilíngue a seu pai

Equipe Pedagógica Rockfeller | 06/08/2021 | 5 min de leitura | Voltar

Hi, Dad. Neste dia tão especial para nós dois, resolvi escrever esta carta. Uma carta aberta de um filho bilíngue a seu pai. É uma forma de conseguir expressar um pouco do que sinto. Pois como puxei a você nisso também, eu não sou muito bom em falar, então prefiro escrever.

Espero que você curta muito seu presente de Dia dos Pais que eu, a mãe e a pequena Lívia escolhemos juntos para você. Mas minha maior expectativa é saber sua reação ao presente que eu sozinho preparei para ti! Mas antes disso, eu quero te contar a minha versão de uma história.

Tudo começou há 16 anos, na comemoração do nosso primeiro dia dos pais juntos. Eu não me lembro de nada, mas foi emocionante ouvir a mãe descrever tudo nos mínimos detalhes. Ela conta que passou um bom tempo procurando seu vinil favorito dos Gun ‘n’ Roses. E mais algumas boas semanas me ensinando a fazer um legítimo head banging pra te surpreender quando você colocasse seu presente para tocar. 

Aquele vinil do Guns

Eu acho que foi a partir daí que, inconscientemente, eu entendi que nossa paixão pela música, principalmente pelo Rock ‘n Roll, seria muito forte e duradoura. Por isso eu sempre te pedia para aprender a tocar violão e depois bateria. Porque eu sabia que isso lhe deixaria mais que feliz e orgulhoso. E nada mais gratificante pra mim, desde sempre, do que sentir seu reconhecimento e acolhimento. Mesmo sabendo que eu poderia ser o pior músico deste planeta, você continuaria fazendo parte da minha “banda”. 

Me lembro até hoje do meu oitavo aniversário, quando você me deu minha primeira bateria. Eu gritava e corria pela casa sem acreditar que você estava realizando mais um sonho meu, e pra falar a verdade, sei que era um sonho seu também. E foi nesse dia que nasceu a Bad Boys Band, nome que você criou no momento em que a mãe veio correndo ao seu escritório dizer que estávamos loucos em fazer aquela barulheira o dia inteiro. Assim que ela saiu bufando pela porta, você olhou pra mim e disse que se sentia um verdadeiro bad boy por querer tocar ainda mais alto. Rimos tanto, mas tanto, que o nome da banda veio assim, fruto de nossa irreverência e diversão.

Bad Boys Band

Daí pra frente, eu esperava ansiosamente pelos finais de semana que passávamos tocando e cantando junto. E pouco tempo depois, você me elegeu vocalista principal porque você dizia que seu inglês não era bom o suficiente para cantar as músicas completas do AC/DC, e que por isso, preferia cantar comigo só os refrões.

A partir daí, eu passava muito tempo decorando as suas faixas favoritas do Led Zeppelin, Nirvana e Pearl Jam. Algumas vezes eu até levava as letras para o meu professor da Rockfeller me ajudar com algumas pronúncias que eu tinha mais dificuldade. E pra minha sorte, ele curtia tanto fazer isso que eu chegava até mais cedo nas aulas para termos um tempinho cantando junto. Poxa, como eu sou mesmo um moleque de sorte!

Um filho bilíngue

Nosso primeiro “show” com uma plateia de verdade foi na festa de final de ano da Rockfeller. Eu suava e tremia tanto, fiquei tão nervoso que quase cheguei a vomitar naquele dia. Até que você teve a brilhante ideia de me fazer tocar e cantar de frente para você, sem precisar olhar para aquela galera insana que gritava e cantava Oasis com a gente.

Foi a primeira vez que eu senti a adrenalina subir pela minha espinha daquele jeito, eu parecia ser pura energia, e mal acreditava que todos os meus colegas e os professores da Rock haviam ensaiado a música escondido para me acompanharem no dia da festa. Eu posso afirmar com certeza que aquele foi um dos momentos mais felizes da minha vida, e agradeço muito por você estar ali do meu lado o tempo todo, pois eu não teria conseguido sem você!

Eu sei que esses últimos anos não têm sido fáceis e sei também que você tentou de verdade estar sempre presente, mesmo quando eu recusava sua companhia e preferia passar mais tempo com meus amigos. Mas no fundo eu tinha a certeza de que eu poderia contar contigo a qualquer momento, para qualquer coisa. Perdemos entes queridos durante essa pandemia, enfrentamos não só o vírus, mas o isolamento e o medo juntos.

Eu senti o pavor em seus olhos quando você passou aqueles poucos dias no hospital sem conseguir respirar direito. Seu olhar me dizia que por pior que as coisas poderiam se tornar, você podia contar comigo como homem da casa. Mas no fundo, pai, eu sempre soube que eu não precisaria deste posto. Pois Deus precisava de você não só ali, para nós, para tantas outras pessoas que você ajudou e ajuda com o seu trabalho, sua generosidade, sua amizade e seu carinho. E como num piscar de olhos, você estava de volta com saúde e esperança!

Pelo mundo a fora

Pai, eu sempre sonhei em conquistar o mundo por mim e por você! Seguir seus passos como intercambista e turista nato, daqueles que misturava inglês com francês, italiano e espanhol nos quatro cantos do mundo. Contigo aprendi a sempre tratar as pessoas com respeito, a ser humilde para pedir ajuda e para oferecer ajuda. E minhas melhores memórias de viagens não são aquelas da Disney ou qualquer outro ponto turístico famoso que visitamos, mas sim, nossas longas conversas durante os voos internacionais intermináveis. Nossa aventura de motorhome pelo deserto americano, e todas as vezes que você nos levava às menores vilas possíveis para conhecer a história de cada lugar e das pessoas locais. Nenhuma selfie no mundo vale mais para mim do que estes momentos, só nossos, eternos momentos.

Por isso, pai, esta carta aberta de um filho bilíngue é porque eu quero te agradecer por tudo. Tudo, tudo e mais um pouco. Pela vida, pela educação e pela amizade que construímos e valorizamos tanto. Meus amigos podem achar isso um vexame, mas eu digo pra todos que você é sim o meu herói, sempre foi e sempre vai ser. Eu sonho com o dia em que eu possa ser um pai tão dedicado e parceiro para os meus filhos. E eu tenho certeza de que vou ser, pois tive o melhor exemplo ao meu lado desde o dia em que nasci.

Quero também te agradecer por ter investido em meu inglês durante todos estes anos. Algumas vezes eu não entendia sua empolgação em me ver fluente porque parecia algo tão fácil, tão natural. Mas conhecendo a sua história e como meu avô “ralou” para te proporcionar a liberdade de bilíngue e capaz de conquistar o mundo com suas próprias palavras, sem barreiras, sem limitações. Pois ele acreditava que você tinha muito a dizer, que um idioma não poderia te impedir de levar sua sabedoria ao mundo, às pessoas que precisam de ti.

Os resultados vieram

E é assim que eu me sinto hoje. Livre e confiante de que eu também tenho muito a dizer, e aprender também, mas que nada nesse mundo vai me impedir de ser um cidadão do mundo, a construir um lugar melhor para nossa família e para as próximas gerações. Por isso, pai, meu presente hoje para você está aí neste outro envelope com o selo da ETS. Dentro dele, você verá meu score no TOEFL Jr e com ele, minha inscrição para terminar o High School na mesma escola onde você estudou. Ainda bem que a tia Carol manteve contato com todos por lá e me ajudou, junto com a mãe e secretamente, a cuidar de toda a papelada por mim e por você.

Pode parecer mesquinho para outras pessoas que eu espere que minhas conquistas sejam um presente tão valioso para você. Mas só eu sei o quanto repetir a sua história irá te fazer feliz. E por isso, resolvi escrever esta carta aberta de um filho bilíngue a seu pai.

“How does it feel to be on your own, with no direction home, a complete unknown, like a rolling stone.”

Happy Father’s Day! I love you, dad!

Love,

Your son.


Escrito por:

Equipe Pedagógica Rockfeller

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